
Este artigo propõe uma abordagem aprofundada sobre o Coaching Integral Sistémico (CIS), explorando os seus fundamentos teóricos, aplicações práticas e resultados concretos no contexto angolano. Com base em mais de 10 anos de experiência e mais de 12.775 vidas impactadas directa e indirectamente, apresenta-se uma reflexão crítica sobre o impacto do CIS no desenvolvimento humano em Angola, especialmente em mulheres, jovens, profissionais e líderes comunitários. A autora, Amélia Ernesto, tem aplicado esta metodologia em imersões, mentorias, team coaching, coaching executivo e na produção de conteúdos educativos, como eBooks e formações online.
1. Introdução
O Coaching Integral Sistémico é uma metodologia de desenvolvimento humano que visa promover transformações duradouras através do alinhamento entre razão e emoção, crenças e comportamentos, passado e futuro. Desenvolvido com base nos pilares da neurociência, inteligência emocional, psicologia positiva e teoria dos sistemas, o CIS tem vindo a ganhar espaço em vários países, embora em Angola ainda seja relativamente desconhecido e muitas vezes confundido com aconselhamento ou terapia.
2. Fundamentos do Coaching Integral Sistémico
O CIS integra abordagens cognitivo-comportamentais com uma visão sistémica da vida humana. A sua força reside na compreensão de que o indivíduo é influenciado por sistemas familiares, sociais, culturais e institucionais. Assim, trabalha-se não apenas metas e resultados, mas também bloqueios emocionais, padrões de pensamento limitantes, traumas e memórias inconscientes que afectam o desempenho pessoal e profissional. O modelo propõe uma jornada de autoconhecimento e reposicionamento pessoal, com foco na libertação de crenças negativas e na construção de uma nova identidade funcional.
3. Aplicabilidade do CIS em Angola
Em Angola, o Coaching Integral Sistémico tem-se mostrado particularmente eficaz em cinco grandes dimensões de actuação:
– Empoderamento feminino: ajudando mulheres a reconhecerem o seu valor, liderarem com autenticidade e equilibrarem as várias áreas da vida. As imersões como “Levante-se: Planifique o Ano”, “Desperta a Líder que Há em Ti” e “Quebre as Correntes” têm-se tornado marcos neste processo.
– Juventude e carreira: orientando jovens na construção de projectos de vida com propósito, foco e responsabilidade, especialmente em contextos de vulnerabilidade social.
– Liderança e gestão de pessoas: apoiando líderes políticos, gestores públicos e institucionais a desenvolverem inteligência emocional, comunicação assertiva e tomada de decisão alinhada com valores.
– Team coaching e coaching executivo: melhorando o desempenho de equipas, promovendo um ambiente de confiança e foco em resultados sustentáveis, com benefícios observados em organizações públicas e privadas.
– Conteúdos educativos e eBooks: ampliando o alcance da metodologia por meio de conteúdos acessíveis que reforçam o processo de aprendizagem e transformação individual.
Entre os materiais já disponíveis, destaca-se o eBook ‘Girar a Roda da Inércia’, que oferece ferramentas práticas para romper padrões de estagnação pessoal e iniciar ciclos de acção consciente.
4. Resultados observados ao longo de mais de 10 anos
A experiência prática, com mais de 12.775 vidas impactadas através de imersões, mentorias, coaching individual e colectivo, permite identificar alguns resultados concretos:
– Aumento da consciência de identidade, propósito e autoeficácia.
– Redução de padrões de autossabotagem, procrastinação e bloqueios emocionais.
– Melhoria significativa na qualidade das relações interpessoais, familiares e profissionais.
– Desenvolvimento de competências de liderança, foco, produtividade e gestão do tempo.
– Maior clareza na definição de metas e capacidade de executar planos pessoais e profissionais.
– Ampliação da rede de apoio emocional e do senso de pertença em comunidades e organizações.
5. Desafios e perspectivas futuras
Apesar dos resultados positivos, o CIS em Angola enfrenta alguns desafios importantes:
– Baixo conhecimento da população sobre o que é coaching e o seu valor estratégico.
– Confusão com outras práticas como aconselhamento, terapia ou formações motivacionais.
– Falta de regulamentação e reconhecimento institucional da profissão de coach.
– Necessidade de mais estudos académicos e divulgação científica sobre os impactos da metodologia.
A superação destes desafios passa por estratégias de sensibilização junto à sociedade civil, formação de novos profissionais devidamente certificados, fortalecimento de parcerias institucionais e integração do coaching nos programas de desenvolvimento educacional, organizacional e comunitário.
6. Considerações finais
O Coaching Integral Sistémico é uma ferramenta poderosa para transformações individuais e colectivas. No contexto angolano, o seu potencial está ainda a ser explorado, mas os resultados apontam para um futuro promissor. Investir nesta metodologia é investir no capital humano, na saúde emocional da sociedade e na construção de lideranças mais conscientes e eficazes. A experiência prática acumulada ao longo de mais de uma década confirma o seu valor como alicerce para mudanças estruturantes e sustentáveis.
Referências Bibliográficas:
– Vieira, Paulo. (2018). O Poder da Ação. Rio de Janeiro: Editora Gente.
– Goleman, Daniel. (1995). Inteligência Emocional. Rio de Janeiro: Editora Objetiva.
– Senge, Peter. (2006). A Quinta Disciplina. São Paulo: BestSeller.
– Hawkins, Thomas. (2012). Coaching Sistémico: Modelos e Práticas. Lisboa: RH Editora.
– Oliveira, Maria Helena. (2017). Coaching e Desenvolvimento Humano em África. Maputo: UEM Publicações.
– Ernesto, Amélia. (2025). Girar a Roda da Inércia [eBook]. Luanda: Nassoma Epalanga.
