Silêncio Produtivo: porque parar também é uma forma de liderança

Quando o país exige reflexão, comunicar também é pensar antes de falar.

 Por Amélia Ernesto – Deputada e Coach

Introdução: num país em turbulência, o silêncio é um acto de responsabilidade

Vivemos um tempo em que a sociedade parece pressionada a reagir antes de compreender, a opinar antes de analisar, a responder antes de pensar. Contudo, liderar não é apenas falar – é saber quando é preciso parar para ouvir, estudar, e reposicionar o discurso ao serviço da verdade e do bem comum.

Nas últimas semanas, Angola assistiu a mudanças, tensões, desafios económicos e sociais que solicitam mais do que comentários rápidos: pedem análise séria, escuta do cidadão e propostas responsáveis. Por isso, o silêncio não foi ausência; foi preparação.

Parar para observar: o líder precisa aprender com a realidade

A inflação continua a corroer o rendimento das famílias; a insegurança alimentar cresce; os transportes permanecem caóticos; a juventude procura trabalho; e sectores fundamentais ainda mostram fragilidades estruturais. Nenhuma destas questões se resolve com discursos impulsivos.

O líder  seja político, comunitário ou profissional –precisa observar antes de agir, como o médico precisa diagnosticar antes de prescrever. Comentários sem análise aprofundada produzem ruído, nunca soluções.

Parar, neste contexto, é um dever ético.

Escutar: a comunicação começa no outro

Em Angola, a liderança precisa de voltar a escutar. Escutar quem está no mercado, quem trabalha na rua, quem procura emprego, quem sofre com a subida dos preços, quem desiste de estudar por falta de condições.

O silêncio que vem da escuta não é passividade, é recolha de matéria-prima. É a partir dela que surgem propostas que têm rosto, voz e território. Governar ou legislar sem escutar é legislar sobre um país imaginário.

Planeamento: quem quer transformar precisa organizar pensamento e acção

Liderar exige planeamento – e planeamento exige pausa.
O silêncio produtivo permite:

✔️ identificar prioridades reais;
✔️ estudar soluções com impacto social;
✔️ construir argumentos sólidos;
✔️ propor acções de curto, médio e longo prazo.

A comunicação que nasce do planeamento educa, inspira e transforma, em vez de apenas reagir.

Conclusão: comunicar com ética é mais urgente do que falar mais

O país atravessa um período em que a desinformação, o radicalismo verbal e o imediatismo podem destruir pontes que ainda nem foram construídas. Por isso, é tempo de defender a política ética, feita com serenidade, profundidade e responsabilidade social.

O silêncio que cultivamos para pensar é a ponte que nos permite comunicar com verdade, e não com pressa.

A palavra que transforma nasce da reflexão que espera.

A partir desta semana, retomamos um diálogo firme, humanizado e propositivo -sobre o país que somos e o país que podemos construir.

 Seguiremos com análises políticas, socioeconómicas e de desenvolvimento humano, com foco em soluções reais e ao serviço das pessoas.

 Amélia Ernesto – Deputada e Coach

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