
Introdução
Enquanto Angola arrecada bilhões com a exportação de petróleo, milhões de angolanos continuam a viver em pobreza extrema, sem acesso à alimentação básica, saúde ou educação de qualidade. O cenário social tornou-se ainda mais alarmante após a divulgação de que apenas 1% do orçamento previsto para o combate à pobreza foi executado no primeiro semestre de 2025. A pergunta que paira sobre a sociedade é simples e inquietante: onde está o compromisso real com o povo?
Um Orçamento Que Não Chega à Mesa do Povo
Segundo dados recentes, o Programa Integrado de Desenvolvimento Local e Combate à Pobreza teve um orçamento superior a 231 mil milhões de kwanzas. No entanto, até à metade do ano, apenas 1% desse montante foi efectivamente aplicado. Este dado é especialmente chocante quando colocado ao lado de outras estatísticas:
– Mais de 11,6 milhões de angolanos vivem actualmente em pobreza extrema;
– Sete em cada dez cidadãos não conseguem garantir uma alimentação saudável;
– Milhares de crianças enfrentam subnutrição crónica e abandonam a escola por falta de condições mínimas.
Esta disparidade entre discurso e prática revela uma crise de prioridades e de gestão, onde os recursos públicos não estão a responder às necessidades mais urgentes da população.
Pobreza Extrema: O Rosto Invisível da Inação
A pobreza extrema em Angola não é apenas um número — é o rosto da mãe que cozinha folhas com sal para os filhos, do idoso que mendiga em frente ao hospital, da criança que abandona a escola para vender água nas ruas. A ausência de políticas públicas eficazes acentua as desigualdades e compromete o futuro do país.
“Quando a riqueza de um país se concentra nas mãos de poucos, o resto sobrevive à margem da dignidade.”
A execução orçamental deficiente em áreas-chave como saúde, educação, nutrição e habitação é um reflexo directo da falta de compromisso com os direitos sociais inscritos na Constituição da República.
A Urgência de Medidas Estruturantes
Para reverter este cenário, é fundamental adoptar uma abordagem urgente e estruturada. Eis algumas medidas viáveis:
– Execução acelerada e transparente dos programas sociais, com relatórios trimestrais públicos;
– Transferências sociais condicionadas e apoio alimentar directo às zonas mais vulneráveis;
– Investimento no fortalecimento das administrações municipais, com maior autonomia e capacidade de resposta;
– Parcerias com igrejas, ONGs e cooperativas locais, que já actuam onde o Estado não chega;
– Desburocratização do acesso a apoios sociais para as famílias em situação de pobreza extrema.
Mais do que planos no papel, o que o povo precisa é de execução, presença e resposta real.
Conclusão: Entre a Inércia e a Responsabilidade Histórica
O combate à pobreza em Angola não pode continuar a ser adiado, negligenciado ou silenciado. Cada dia de atraso significa vidas em risco, futuros interrompidos e talentos desperdiçados.
Num país rico em recursos e potencial humano, a pobreza extrema é uma escolha política — não uma fatalidade.
O povo angolano merece mais do que promessas. Merece acções concretas, investimentos sociais corajosos e uma liderança comprometida com a justiça social.
A verdadeira grandeza de um país mede-se não pelo seu PIB, mas pela dignidade com que trata os seus mais vulneráveis.
